Opinião

Descanse em Paz, Meu Amor…

001Eu estava na sexta série quando ouvi pela primeira vez o nome de Pedro Bandeira, na época ele era apenas mais um carrasco que eu deveria ler para uma futura prova de Literatura. Meu professor – que se não foi um Hippie, com toda certeza era um simpatizante do movimento! – fazia questão de nos lembrar a todo o momento do bendito livro a ser lido, às vezes com frases chamativas e que causavam grande impacto entre nós, alunos. Frases como essa: Semana que vem terá prova oral sobre a obra! Não se esqueçam de ler e estudar!

Pânico, olhares amedrontados, fuxicos baixos de maldizer. Quem era o maldito Pedro Bandeira que nós teríamos de ler?

E lá vou eu formar a minha epopéia. Eu nunca fui uma pessoa fácil de lhe dar, pegar emprestado? Jamais! Adoro bibliotecas, mas sempre gostei de ter o livro para mim. Corro para minha mãe – mães, vocês são umas lindas! – e peço com todo amor e carinho com palavras quase angelicais diferindo a seguinte frase: Mãe, escola, livro, preciso comprar, para semana que vem!
Minha mãe da um salto e ri, em seguida pede ao meu irmão para ir a um sebo comprar o livro que eu precisava.
Adendo para minha dramatização: Eu não posso ir ao sebo? Mundo injusto! Só porque fico mais de uma hora me encontrando naquele universo empoeirado! Ok eu espero ansioso ele trazer meu novo amigo livro.  (mais…)

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Boiando em Moçambique

Extasiado, digo eu, estar ao me deparar com as páginas de um mundo Moçambicano! Quanta coisa diferente da nossa! Quantas cores e mulheres fortes, comidas exóticas e lugares que enchem os olhos – ou a imaginação – do leitor.

Rafael Moralez é um cidadão – creio eu  – que “sobrevive” na cidade de São Paulo, gosta de muita “breja”, Rock and Roll e comidas para lá de exuberantes e vive tranqüilo na sua agitação diária.
Certo dia surge a proposta de ir até Moçambique “fazer sei lá o quê” por um tempo, sem pensar muito o guri aceita e é aí que começa a nossa diversão. (É sempre gostoso alimentar o nosso sadismo e ver como uma pessoa “sofre” ao se deparar com uma cultura e costume diferente do que está acostumada.)

O Livro nos conta o dia-a-dia de Rafael em Moçambique, o que ele come, no que ele trabalha e o que aquelas pessoas fazem para se divertir entre uma pobreza aparente. Temos várias – v-á-r-i-a-s – fotos durante o decorrer do livro, desenhos que ele mesmo fez (Até que são engraçadinhos) e opiniões sobre os quitutes regionais. Política e Educação não ficam de fora em sua abordagem muito divertida e pouco coloquial. Vale lembrar que “Boiando em Moçambique” veio primeiro em forma de blog de viagem, era uma proposta e um meio que ele achou para mostrar a família e os amigos o que ele estava passando a quilômetros de distância de sua terra natal e por isso o livro é tão interessante. Ele não está preocupado em te passar uma lição de vida ou te “educar”, o que ele quer é contar o que viu, o que bebeu (E como bebe!) e o que aprendeu com os Moçambicanos durante o seu tempo de convivência entre eles, como por exemplo essa passagem muito divertida na qual ele nos conta um “segredo” entre os nativos dessa região, imagino a face dele ao descrever isso:

“Aqui os homens tem o costume, quando são amigos de verdade, de andar de mãos dadas nas ruas, às vezes só com o mindinho… Ah, que gracinha né! Dois marmanjão com dois metros de altura cada um de mão dada, ah vá!”

Cada página se inicia com o dia, o horário e no final a música que ele estava ouvindo. É como se estivéssemos sentados ao seu lado e ele – com sua breja – bebendo e nos contando o que vivenciou por lá durante um bom tempo!
O livro é mais do que recomendado para aqueles que querem conhecer uma nova cultura sem sair de casa! Rafael – ou Rafa – Irá te contar tudo o que puder, e fazer você sentir o calor intenso que é um verão em Moçambique!

Nota :  
Onde achar: Balão EditorialLivraria CulturaTravessa.
Título: Boiando em Moçambique
Autor: Rafael Moralez
Editora: Balão Editorial
N° de Páginas: 216
ISBN: 9788563223043

O Palhaço e Sua Filha

O Palhaço e sua FilhaEu estou apaixonado, extasiado e, ao mesmo tempo órfão de um dos melhores livros que já li na minha pacata vida de leitor abandonado. Sabe aquele livro que você quer deixar de canto por longos dias só para não terminar de ler? Aquela pequena criatura que você olha com todo o amor possível, mas foge para não abraçar e dizer “eu te amo, seu lindo, agora vem pra cama comigo!”, pois bem, esse é o “Palhaço e Sua Filha” –Halide Edip Adivar (Editora Planeta Literário, 399 Páginas.)

Quando peguei o livro e olhei a sinopse vi que se tratava de uma autora Turca. Nunca havia lido nada de autores Turcos então “Why not?” seria uma experiência no mínimo interessante. Culturas diferentes, modelo de escrita diferente, nomes até então difíceis – impossíveis – de serem pronunciados. Ok, desafio aceito! Vamos ver o que o livro tem para me dar.

A história já começou assim, como quem não quer nada, meio encabulada e contida, ganhando meu coração e minhas lágrimas em algumas ocasiões de grande euforismo!
Pois bem, o livro nos conta a vida da pequena Rabia Abla, uma menina nascida em uma família extremamente religiosa, sendo sua mãe uma louca desalmada que sente grande amargura pela vida e pelo ex-marido exilado “Tevfik”; Seu avô é um homem de grande religiosidade e que repudia quaisquer praticas ligadas a alegria e ao prazer, para ele, tudo que não é vindo com dor e sofrimento, tudo que é ligado a brincadeiras infantis e divertimento vem diretamente das profundezas do inferno e devem ser cortadas de seu convívio. “São praticas Pecaminosas!”  (mais…)