Jön Klem

Sobre os prazeres (ir)revelados

Convenço-me, às vezes, de que os olhos de outrem encurralam-me. Aquele doce olhar malicioso ao qual o mundo há de não resistir. Eu gosto da malícia. O jogo sujo das palavras que são bem quistas por mim e talvez por ti, que lês este maldito texto corrompido; gosto do entorpecimento selvagem que penetra os corpos… E exala perversidade. Nenhum ser é tão bom assim; porque a bondade é tão relativa quanto as minhas mãos pelo teu corpo desnudo e exaltado, e só por isso digo-te que és perverso! E se não concordas, usa da tua máscara vagabunda e venha me confrontar. Só prometa que olharás com aqueles olhos que deixam-me excitado.

Renega minhas palavras o quanto quiseres, mas durante a noite, enquanto me acompanhas em direção ao rubro luar, dirá as frases mais baixas em meus truculentos ouvidos de raposa. Sendo assim, permita-me a maledicência enquanto tentas aconchegar tua face no seio de tua cama de pedras.

Jön Klem