Leituras e Aquisições

O País das Neves

004Pensei um bom tempo antes de vir até aqui e escrever essa humilde opinião para vocês, já que não é uma tarefa nada fácil falar sobre um dos autores que mais admiro no mundo literário, ainda mais com um livro que ganhou o Prêmio Nobel de 1968. – e no qual eu não morro de amores! –
Devo avisar de antemão que o livro não é ruim, e logo mais explico o porquê da minha classificação para ele.

Mas vamos com calma que a prosa vai longe. Primeiro: quem foi Yasunari Kawabata e como se deu meu amor por esse autor tão pouco conhecido aqui no Brasil?

Meados de 2009 ou 2010 eu conheci uma descendente de japoneses, que assim como eu, é apaixonada pela cultura, arte, língua, animação e – também – pela Literatura Japonesa. Até então o máximo que eu tinha contato com essa literatura era algo bem esparso, textos aqui e acolá e outras obras que meu irmão já vinha adquirindo (como Musashi, por exemplo). Eis então que surge, em uma conversa sobre literatura, o nome de Kawabata. Eu não fazia idéia de quem era e muito menos tinha a noção do quanto esse autor afetaria a minha vida de leitor! Mas voltando ao assunto, pedi indicações e ela veio com uma grata lista de obras. Foi aí então que eu li “A Dançarina de Izu”, no qual pretendo tecer minhas opiniões mais para frente – assim como opinar sobre todas as obras dele lançadas aqui no Brasil -, e minha vida mudou!  (mais…)

Os Caçadores de Sonhos

003“Nunca li uma obra de Neil Gaiman, mesmo sabendo quem ele é.” Era a resposta mais costumeira quando me perguntavam se havia me afundado em alguns de seus livros ou textos; confesso que não era por falta de oportunidade, pois tenho em casa pelo menos três de suas obras, mas sim a falta de interesse.

The Dream Hunters é um livro sensacional, foi escrito em 1999 e é sem dúvida uma das obras mais tocantes que eu já li. De fato encontramos Monges e Raposas pelo nosso mundão a fora, unidos por um laço fino e delicado, assim como no livro.

No começo eu não sabia o que esperar de Gaiman, mas só de olhar para as ilustrações de Amano eu me sentia incrivelmente bem, aquele traço encantador, as obras de arte que ele produz da toda uma atmosfera que o livro necessita. Essa é aquela típica parceria que casa, que se complementa e que no final nos toca de uma forma indescritível.  (mais…)

A Pousada Rose Harbor

002Cedar Cove é uma cidade pacífica onde todos se conhecem e mantêm uma relação mínima de cordialidade. Seus habitantes são pessoas comuns com um nível quase incomum de alegria. Bonito, não? Seria quase um açúcar queimado se não fosse pelos “extras” de depressão e sofrimento que nossos personagens nos mostram com o decorrer da narrativa.

Primeiro devo vos avisar que “A Pousada Rose Harbor” é uma série spin-off de uma outra série – já famosa – de Debbie Macomber de nome “Crônicas de Cedar Cove”, lançadas em partes pela Harlequin Books (as capas são de sofrer, será que temos a esperança da Novo Conceito adquirir os direitos autorais e lançar aqui no Brasil com o mínimo de cuidado que a autora merece?). Se você, assim como eu, nunca teve um desses livros em mãos, fique calmo! Mesmo que alguns de seus antigos personagens apareçam nesse livro, ele pode – e deve! – ser lido sem qualquer relação com as demais obras citadas; portanto não o descarte tão fácil assim!  (mais…)

Descanse em Paz, Meu Amor…

001Eu estava na sexta série quando ouvi pela primeira vez o nome de Pedro Bandeira, na época ele era apenas mais um carrasco que eu deveria ler para uma futura prova de Literatura. Meu professor – que se não foi um Hippie, com toda certeza era um simpatizante do movimento! – fazia questão de nos lembrar a todo o momento do bendito livro a ser lido, às vezes com frases chamativas e que causavam grande impacto entre nós, alunos. Frases como essa: Semana que vem terá prova oral sobre a obra! Não se esqueçam de ler e estudar!

Pânico, olhares amedrontados, fuxicos baixos de maldizer. Quem era o maldito Pedro Bandeira que nós teríamos de ler?

E lá vou eu formar a minha epopéia. Eu nunca fui uma pessoa fácil de lhe dar, pegar emprestado? Jamais! Adoro bibliotecas, mas sempre gostei de ter o livro para mim. Corro para minha mãe – mães, vocês são umas lindas! – e peço com todo amor e carinho com palavras quase angelicais diferindo a seguinte frase: Mãe, escola, livro, preciso comprar, para semana que vem!
Minha mãe da um salto e ri, em seguida pede ao meu irmão para ir a um sebo comprar o livro que eu precisava.
Adendo para minha dramatização: Eu não posso ir ao sebo? Mundo injusto! Só porque fico mais de uma hora me encontrando naquele universo empoeirado! Ok eu espero ansioso ele trazer meu novo amigo livro.  (mais…)

Manhã do Brasil

Manhã do BrasilO Moreno e a Morena, Jazz, muito Jazz! Narrador e a História; O Passado e o Futuro Mesclados com o Presente. E eu ali no meio me deliciando a cada nova página virada com a linda linguagem poética do Luis Alberto Brandão.

Manhã do Brasil me trouxe aquela típica sensação do retrô, do velho e do robusto, aquela sensação que surge quando visitamos uma casinha antiga, feita de barro ou de palha onde a mais simples família vive. Uma sensação tão boa que me fez sorver o livro rapidamente.

De início, um desafio: “Este livro é dedicado a Luiz Bonfá. Sugere-se que seja lido ao som de sua música, especialmente “Manhã de Carnaval”, executada pelo violão de Bonfá e o flugelhorn de Márcio Montarroyos no Disco The Bonfá Magic.”

Luis Bonfá? Márcio Montarroyos? Quem? Espera! Fiquei perdido! Vou ali no santo do Google me informar sobre essas duas figuras de quem eu nunca ouvi falar na vida! – Depois eu descubro a importância de Bonfá e Márcio na Música Brasileira e morro de vergonha de nunca ter ouvido sequer uma musiquinha deles – Tendo ouvido o tal do Bonfá eu vou atrás do tal Márcio. Parei pra ouvir seu Cd “Magic Moment” e não larguei mais. Realmente foi um Momento Mágico e ele continuou ressoando em meus ouvidos durante toda a leitura do livro! (Para ver como não sou um bom leitor e não sigo a risca o que o autor pede.)  (mais…)

Poesia Marginal

001 - CapaCaro, pouco didático e abusivamente pequeno. Eis a minha completa falta de paciência com o dito livro.

Quando me propus a comprar o Livro “Poesia Marginal” da Editora Ática, eu esperava uma seleção melhor, com uma quantidade de páginas maior e um conteúdo mais abrangente dentro do tema! Pois bem, minha fantasia caiu por terra quando o mesmo chegou a minha residência.
Olhei, não acreditei, voltei a olhar e quase vociferei jargões desnecessários ao mundo editorial. Respirei, mentalizei o azul, cogitei fazer um Tsuru, mas deixei pra lá. (mais…)

Uma vida muito além das expectativas

Uma vida muito além das ExpectativasLer é sempre um desafio, quer seja um clássico da Literatura Mundial quer seja um Jovem Adulto ou um Romance Erótico, desses de Banca de Jornal. A leitura nos proporciona diversos prazeres, do mais egoísta ao mais puro tédio.

Cada vez que olhamos para um título, analisamos sua capa, sentindo a sua textura, cheiramos suas páginas – como só nós sabemos fazer!  – nós entramos em um estado estático, um êxtase que permanece por tempo indeterminado na nossa conturbada mente e gera deliciosos calafrios em nosso corpo. Apenas depois desses sentimentos é que nos vemos no direito de abrir a obra e começar os nossos prazeres clandestinos.  Claro, nem sempre é algo bom, quantas vezes nós, leitores assumidos, já não pegamos porcarias literárias? Eu mesmo já perdi as contas dessas obras que desperdiçam papéis! Mas quantas vezes não nos surpreendemos? Diversas! Não! Milhares de vezes! Essa é a graça da Literatura, nos transportar para mundos que são possíveis em nossa mente.  (mais…)

Os Dançarinos

002Quadrinhos sempre foi uma das paixões da minha vida, comecei com o Mangá (A grosso modo, são historias em quadrinhos no estilo Japonês) lá na década de 90 e fui colecionando inúmeros títulos conforme os anos. Confesso que o HQ Americano não me chamava tanto à atenção no Princípio, o preço não era tão caro assim, mas as edições sempre estavam mais avançadas do que eu poderia acompanhar.

O tempo foi passando, eu fui envelhecendo e o vício foi aumentando. – sim, uma vez viciado em quadrinhos, sempre viciado em quadrinhos. – Como de costume, eu fui falindo.

Pois bem, recentemente tive o privilégio de ler o 3° livro da Coleção Sherlock Holmes da Editora Farol HQ. Pessoal, vamos confessar que em alguma fase de nossa vida nós já nos deparamos com Sherlock Holmes, pelo menos ouvir falar no nome todo mundo já ouviu. – Se tu nunca ouviste falar, me diga em que mundo tu vives! –  (mais…)

Boiando em Moçambique

Extasiado, digo eu, estar ao me deparar com as páginas de um mundo Moçambicano! Quanta coisa diferente da nossa! Quantas cores e mulheres fortes, comidas exóticas e lugares que enchem os olhos – ou a imaginação – do leitor.

Rafael Moralez é um cidadão – creio eu  – que “sobrevive” na cidade de São Paulo, gosta de muita “breja”, Rock and Roll e comidas para lá de exuberantes e vive tranqüilo na sua agitação diária.
Certo dia surge a proposta de ir até Moçambique “fazer sei lá o quê” por um tempo, sem pensar muito o guri aceita e é aí que começa a nossa diversão. (É sempre gostoso alimentar o nosso sadismo e ver como uma pessoa “sofre” ao se deparar com uma cultura e costume diferente do que está acostumada.)

O Livro nos conta o dia-a-dia de Rafael em Moçambique, o que ele come, no que ele trabalha e o que aquelas pessoas fazem para se divertir entre uma pobreza aparente. Temos várias – v-á-r-i-a-s – fotos durante o decorrer do livro, desenhos que ele mesmo fez (Até que são engraçadinhos) e opiniões sobre os quitutes regionais. Política e Educação não ficam de fora em sua abordagem muito divertida e pouco coloquial. Vale lembrar que “Boiando em Moçambique” veio primeiro em forma de blog de viagem, era uma proposta e um meio que ele achou para mostrar a família e os amigos o que ele estava passando a quilômetros de distância de sua terra natal e por isso o livro é tão interessante. Ele não está preocupado em te passar uma lição de vida ou te “educar”, o que ele quer é contar o que viu, o que bebeu (E como bebe!) e o que aprendeu com os Moçambicanos durante o seu tempo de convivência entre eles, como por exemplo essa passagem muito divertida na qual ele nos conta um “segredo” entre os nativos dessa região, imagino a face dele ao descrever isso:

“Aqui os homens tem o costume, quando são amigos de verdade, de andar de mãos dadas nas ruas, às vezes só com o mindinho… Ah, que gracinha né! Dois marmanjão com dois metros de altura cada um de mão dada, ah vá!”

Cada página se inicia com o dia, o horário e no final a música que ele estava ouvindo. É como se estivéssemos sentados ao seu lado e ele – com sua breja – bebendo e nos contando o que vivenciou por lá durante um bom tempo!
O livro é mais do que recomendado para aqueles que querem conhecer uma nova cultura sem sair de casa! Rafael – ou Rafa – Irá te contar tudo o que puder, e fazer você sentir o calor intenso que é um verão em Moçambique!

Nota :  
Onde achar: Balão EditorialLivraria CulturaTravessa.
Título: Boiando em Moçambique
Autor: Rafael Moralez
Editora: Balão Editorial
N° de Páginas: 216
ISBN: 9788563223043

O Palhaço e Sua Filha

O Palhaço e sua FilhaEu estou apaixonado, extasiado e, ao mesmo tempo órfão de um dos melhores livros que já li na minha pacata vida de leitor abandonado. Sabe aquele livro que você quer deixar de canto por longos dias só para não terminar de ler? Aquela pequena criatura que você olha com todo o amor possível, mas foge para não abraçar e dizer “eu te amo, seu lindo, agora vem pra cama comigo!”, pois bem, esse é o “Palhaço e Sua Filha” –Halide Edip Adivar (Editora Planeta Literário, 399 Páginas.)

Quando peguei o livro e olhei a sinopse vi que se tratava de uma autora Turca. Nunca havia lido nada de autores Turcos então “Why not?” seria uma experiência no mínimo interessante. Culturas diferentes, modelo de escrita diferente, nomes até então difíceis – impossíveis – de serem pronunciados. Ok, desafio aceito! Vamos ver o que o livro tem para me dar.

A história já começou assim, como quem não quer nada, meio encabulada e contida, ganhando meu coração e minhas lágrimas em algumas ocasiões de grande euforismo!
Pois bem, o livro nos conta a vida da pequena Rabia Abla, uma menina nascida em uma família extremamente religiosa, sendo sua mãe uma louca desalmada que sente grande amargura pela vida e pelo ex-marido exilado “Tevfik”; Seu avô é um homem de grande religiosidade e que repudia quaisquer praticas ligadas a alegria e ao prazer, para ele, tudo que não é vindo com dor e sofrimento, tudo que é ligado a brincadeiras infantis e divertimento vem diretamente das profundezas do inferno e devem ser cortadas de seu convívio. “São praticas Pecaminosas!”  (mais…)