Descanse em Paz, Meu Amor…

001Eu estava na sexta série quando ouvi pela primeira vez o nome de Pedro Bandeira, na época ele era apenas mais um carrasco que eu deveria ler para uma futura prova de Literatura. Meu professor – que se não foi um Hippie, com toda certeza era um simpatizante do movimento! – fazia questão de nos lembrar a todo o momento do bendito livro a ser lido, às vezes com frases chamativas e que causavam grande impacto entre nós, alunos. Frases como essa: Semana que vem terá prova oral sobre a obra! Não se esqueçam de ler e estudar!

Pânico, olhares amedrontados, fuxicos baixos de maldizer. Quem era o maldito Pedro Bandeira que nós teríamos de ler?

E lá vou eu formar a minha epopéia. Eu nunca fui uma pessoa fácil de lhe dar, pegar emprestado? Jamais! Adoro bibliotecas, mas sempre gostei de ter o livro para mim. Corro para minha mãe – mães, vocês são umas lindas! – e peço com todo amor e carinho com palavras quase angelicais diferindo a seguinte frase: Mãe, escola, livro, preciso comprar, para semana que vem!
Minha mãe da um salto e ri, em seguida pede ao meu irmão para ir a um sebo comprar o livro que eu precisava.
Adendo para minha dramatização: Eu não posso ir ao sebo? Mundo injusto! Só porque fico mais de uma hora me encontrando naquele universo empoeirado! Ok eu espero ansioso ele trazer meu novo amigo livro. 

Meu irmão nunca foi um leitor voraz, muito menos uma pessoa que cuida de livros, quando ele chegou com o meu exemplar de “A Marca de uma Lágrima” eu quase cai de costas! Todo lascado, furado, comido pelas traças e com marcas de umidade! Pobre daquela criança! Só porque estava custando 1,99! – meu irmão é tão “come unha” que se tiver que acenar para alguém ele o faz de mão fechada e durante uns 10 segundos para não desgastar o corpo –

A partir desse momento começa a minha relação com Pedro Bandeira.
Descanse em Paz, meu Amor… é um livro que se eu tivesse lido por volta dos meus 12 anos de idade eu com toda certeza teria aproveitado mais, eu explico, o universo sobrenatural que Bandeira explora nessa obra é algo que sempre me fascinou, justamente nessa época eu não achava livros com a mesma temática o que sinceramente foi uma pena.
Chega de tanto enrolar, vamos à história.

Vários amigos decidem passar as férias em um lugar afastado da vida urbana e para isso alugam uma casa reclusa de tudo e de todos. As coisas pareciam ir bem, estava conforme os planos, mas a casa está em um péssimo estado e a chuva violenta derrubara a única ponte para se chegar à cidade.
Como desgraça não vem sozinha a energia do local foi cortada. O que fazer em uma casa onde o frio, as goteiras e o vento cortante predominam sem dó? Histórias de terror! Mas parece que o único a não se importar com o Pânico dentre o grupo de amigos é Alexandre, que ainda faz piadas e tira sarro de seus companheiros.

As histórias são contadas por cada integrante do seleto grupo de amigos, cada um deles conta a sua versão – algo que aconteceu com o pai, com a mãe ou outro amigo/parente distante ou não. –
É um livro leve que da para nos entreter. Livro de uma sentada só se preferir.
O Projeto gráfico está bem bonitinho e as folhas são amareladas. Ao final nós temos uma breve descrição do Pedro Bandeira com sua infância e como chegou a ser escritor.

Pedro Bandeira

Pedro Bandeira

Se você tem um filho/filha ou então um parente com a idade de 12 anos – em média – vale à pena presentear com este livrinho, creio que eles vão aproveitar muito mais do que os crescidinhos de plantão. Claro, é só uma opinião, eu mesmo aproveitei o livrinho com bastante euforia, mas como eu disse, teria aproveitado muito mais se fosse mais “novinho”.

“Lembram-se do que a nossa professora de Português do ano passado falou das bruxas e dos lobos maus das histórias infantis? Ela disse que o tal “medo literário” que as crianças sentem ao ouvir essas histórias é bom para o amadurecimento emocional delas.” – Pág. 20

Informações úteis:

  • Nota :  
  • Onde Achar: Livraria CulturaSaraiva.
  • Título: Descanse em Paz, meu amor…
  • Autor: Pedro Bandeira
  • Editora: Ática
  • N° de Páginas: 80
  • ISBN: 978-85-08-14729-8
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3 comments

  1. Rindo da sua historinha de infância kkkkkkkk. Eu ia nos sebos pra comprar revista e gibi aos 12 anos, meu pai quem me levava sempre aos sábados, saudades disso :/
    Ainda não conheço o trabalho de Pedro Bandeira, fiquei curioso pela sinopse e vou começar a procurar obras dele agora mesmo.

  2. Como eu gosto de suas resenhas! Ao invés de uma simples opinião se torna algo pessoal e tão divertido de se ler!
    Eu conheço apenas dois livros do Pedro Bandeira, o “A droga da obediência” e o “Pantano de sangue” foram leituras tão agradáveis da minha infância, que só de relembrar bate aquela nostalgia, sabe?

    Beijos, cremoso.

    1. Muito obrigado, Lizz!
      A Droga da Obediência eu conheço por nome, mas nunca li. Tenho curiosidade de ler outros títulos do Bandeira, mas a minha fila de leitura está gigantesca!

      Beijos, cremosa! sz

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